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Doralyce nos apresenta o majestoso clipe de “Acenda a Luz” .


Doralyce nos apresenta o majestoso clipe de “Acenda a Luz” e nos mostra que a força do amor pode quebrar todas as formas de opressões sobre os corpos.


No dia 29 de agosto, marca o dia da Visibilidade Lésbica no Brasil. A data foi instituída em referência ao primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), ocorrido em 29 de agosto de 1996, no Rio de Janeiro.


E nessa semana, Doralyce anunciou o lançamento de “Acenda a Luz” no último dia 27 de agosto, nos presenteando com uma composição que ao celebrar o amor, traz a ode do autocuidado e amor próprio à tona, tendo a participação de sua companheira Bia Ferreira, e nos trazendo um belo clipe produzido pela Colmeia 22.


O orgulho se liga à necessidade de lutar contra o sentimento de vergonha que sempre tentam colocar sobre os corpos não padronizados pela heteronormatividade, interligando assim à resistência.


A canção e o clipe abordam o empoderamento do corpo feminino vencendo qualquer que seja a opressão por meio da valorização dos corpos em suas formas singulares que se conectam através da celebração de rituais diários e íntimos de autocuidado, transbordando assim para o outro e para a relação.


A Revista Amplifica Mais fez uma bela entrevista com Doralyce que falou um pouco mais de sua visão para o lançamento de “Acenda a Luz”, que você confere logo aqui abaixo.



Amplifica - Em 2020, um ano de tantos embates sociais onde o ódio toma a frente de um país que torna invisível e reprime as lésbicas, como o amor emergiu para a produção de “Acenda a Luz”?

Doralyce – A música foi escrita em 2018, nascendo como uma contraproposta a tudo que está acontecendo, com o enfoque no afrofuturismo, que vê o futuro com base nos valores do povo africano, basilares na terra, aos fenômenos da natureza, sendo o natural ato do amor de olhar para o outro e conseguir parte integrante do teu ser. E o amor, entre duas mulheres pretas se revela como a base da pirâmide social, tendo sua posição inferiorizada, com imagens associadas à lugares subalternos. A gente precisa apresentar um afrofuturo, que entre tantas outras pessoas, uma nova possibilidade de imaginário, não se limitando como vítimas do racismo, machismo, fascismo ou LGBTQIA+fobia, e sim propondo umas nova forma de enxergar essa sociedade, mostrando que nosso amor existe, que nossas famílias existem, e que o direito de amar está sendo devolvido às pessoas pretas. Prova disso é o clipe “Acenda a Luz”


Amplifica - Desde o projeto PretaLeveza, experiência que no palco mesclou a força terrena de seus ritmos com as afiadas e cirúrgicas rimas de Bia Ferreira, resultando em uma transformação de suas apresentações, não deixando o ‘artivismo’ de lado. Que mudanças e amadurecimentos essa parceria pôde proporcionar?

Doralyce – O projeto PretaLeveza vem pra trazer um espaço onde eu (Doralyce) e Bia, conseguimos falar sobre o amor como tecnologia de luta e sobrevivência às pessoas pretas. E não é que em nossos shows não existisse o amor, mas o amor voltado para uma causa/ideia, e não o amor necessariamente à outra. O ‘artivismo’ não ficou de lado, “Cota não é Esmola”, “Miss Beleza Universal”, a versão feminista da música “Mulheres”, entre tantas outras obras Dassalu (um código de tenologia e emancipação para pessoas pretas, indígenas e latinas, com base na primavera solar), um movimento insurgente na América Latina de alternância de poder e protagonismo das mulheres, em especial das mulheres pretas e indígenas. Então, continuamos pautando nossas lutas, valores e ideias, e entre nossos ideiais está em devolver simbolicamente para o povo preto o direito de amar e ser amada, de se sentir valorizada, se sentir rainha. É um encontro de duas orixás se amando, esse é o afrofuturo, o futuro possível, futuro que enxergo, de luta por ser necessária a revolução, pela morte diária de nosso povo, portanto, é um movimento afetuoso que chama as pessoas para os reais valores que a vida tem, e o que conseguimos construir no campo de imaginário, sonhos e paz. Continuamos a pregar a revolução afetuosa.


Amplifica - Além da invisibilidade social em sentido amplo, o movimento lésbico também sofre apagamentos dentro do próprio movimento LGBTQIA+, como você enxerga essa forma invisibilização?

Doralyce - É complexo pensar nessa invisibilidade, principalmente porque quando você se relaciona com uma mulher de pronto se pensa que você é lésbica, e não, eu sou bissexual. Então a gente sofre uma invisibilidade social que se reflete no movimento LGBTQIA+, e não o contrário. A gente precisa reconhecer nossos inimigos, e a forma como a gente apresenta essas ideias, porque na realidade, a sociedade invisibiliza lésbicas, bissexuais, travestis. E como reflexo da sociedade, o movimento LGBTQIA+ se torna um espelho de como a sociedade funciona. Quem que é o topo da pirâmide social? Quem que manda em tudo? Quem coordena tudo? Na mão de quem está o monopólio do poder? Na mão do homem branco. Então, qual é o protagonismo da sigla LGBTQIA+? O homem branco. Eu acho que o movimento que estamos fazendo agora é um movimento de reconhecer quem são os nosso inimigos e onde eles operam, pra gente conseguir coibir as ações deles, e eu to aqui, a Bia tá aqui, dentre tantas outras artistas pra apresentar outras formas de entendimento de vida e sociedade, porque essa sociedade que a gente vive faliu e deu errado, e quem a construiu e a pensou foram homens brancos, precisamos tirar o poder deles.


Amplifica - Quais os obstáculos a serem derrubados para viabilizar a ocupação do espaço artístico e oferecer um campo de maior visibilidade às artistas lésbicas?

Doralyce – Como falei, o movimento LGBTQIA+ espelha a sociedade, então eu acho que os movimentos e ações importante que podemos ter para transformação deste paradigma, que é a nossa invisibilização, a invisibilização das mulheres da comunidade LGBTQIA+, é afastar a sociedade da religiosidade, o Estado deve ser laico. Pois, seguindo valores religiosos, valores do cristianismo ocidental, se criminaliza e se marginaliza relações que não são héteronormativas, e isso é doentio, violento e cruel. Então precisamos tornar o Estado laico, tirar valores hipócritas, de uma moral estranha e sim dar valores importantes, com base no respeito ao próximo com práticas empáticas, observando-se a si primeiramente para cobrar postura do outro, portanto, uma consciência de responsabilidade e ecológica de como usar os recursos naturais, usando seu conhecimento. A partir daí, sua ação sendo relevante para a sociedade, comece a se questionar o que pode ser feito pra melhorar a vida das pessoas e, não sobre como as pessoas se relacionam, com quem elas dormem. Acho que as pessoas precisam mesmo é de libertar esse gozo preso, esse desejo silenciado, morto e apagado, por medo do que a sociedade vai dizer, e aí, as pessoas criam esse rancor, dessaboreando as delícias da vida. Quer ser infeliz? Vai ser infeliz lá na igreja do Malafaia, no Feliciano, na bispa Sônia. Não perto de mim, não quero. Energia soma com energia, e eu só misturo a minha energia com energia de soma, positiva.


Amplifica - Qual a sua mensagem para quem a cada dia resiste dentre todas as marcações sociais, em especial para quem não encontra em si força para quebrar os padrões sociais por se identificar como lésbica em um Brasil tão desigual e preconceituoso?

Doralyce – A minha mensagem é: Vamos construir uma sociedade com mais afeto, com amis respeito às alteridades, mais respeito às idiossincrasias das pessoas, as peculiaridades das pessoas, vamos construir uma sociedade mais empática. Acho que o nosso movimento agora é acabar com esse acúmulo de violências que somatizamos todos esses anos de resistência do povo preto e indígena no Brasil. “Ame e levante a bandeira do amor”, como diz Bia Ferreira, essa é a mensagem, acenda a sua luz!


E lembra Doralyce que domingo, dia 30 de agosto, tem Baile da Igreja Lesbiteriana, cantando “Acenda a Luz” com Bia Ferreira, emanando toda a energia positiva do amor. Então que todo mundo tome pra si o amor como inspiração.


O resultado positivo da canção se mostra como necessário para chegar às pessoas, para desmistificar o lugar do nosso amor, os nossos corpos existem, as nossas vidas existem, e a gente só quer viver com liberdade e ser feliz.


Deixe sua luz brilhar!








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