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O SINGELO MANIFESTO REAL DE CARTOLA


Em seu segundo disco e também homônimo, Angenor de Oliveira toma sua emoção como ênfase e a materializa ao trazer temas existenciais que eram abrigados no âmago do sambista.


O músico, que somente veio a lançar seu primeiro disco e tendo reconhecimento dois anos antes, aos 65 anos, é a expressão do limbo musical que ocupou por tanto tempo, quando o samba ainda se mostrava um caminho inviável para quem vinha de regiões à marginalidade da sociedade. Passou boa parte da vida trabalhando em subempregos como forma de sobrevivência, e mesmo com muita produção musical, teve um respaldo praticamente ínfimo - pelo menos em vida - por vir à falecer aos 72 anos de idade.


A emblemática capa do disco é um registro de Cartola e Dona Zica, sua esposa e também sambista da Mangueira, que dá voz à canção "Sala de Recepção", um canto que enaltece o morro da Mangueira, onde viveram e tiveram a satisfação de reconhecer nesta comunidade a força do coletivo, percebido no cantar "Minha mangueira, essa sala de recepção/Aqui se abraça inimigo/Como se fosse irmão".


Nesse álbum nos é apresentado, por meio de sentimentais e mundanas perspectivas, o aprendizado de uma vida e que soa até mesmo como um agradecer pela sua história.


Cartola retrata a face da realidade social vivida nos morros de forma singela, assim como se deu seu caminho de vida, que apesar da pobreza alegrava por onde passava.


Sua obra representa o espírito do samba e nos remete para o cotidiano que se faz de forma coletiva, nos presenteando com o seu sentimento.

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