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NAVEGA, LIRISMO AGORA E SEMPRE


Pura poesia, ou provocação disfarçada em melodia, novo single de João Sobral dialoga com a nostalgia e desperta desejo de revolução



Uma fotografia que se movimenta, uma ode ao mar, uma poesia sonora, uma saudade latente. Tudo isso define Navega, o novo single do cantor e compositor João Sobral. Figura fácil de prosear, transparente e direto, ainda que por via de metáforas e outras artimanhas linguísticas, o compositor e músico se expressa de um lugar único, seu, mas repleto de referências coletivas, onde a sofisticação brota da extrema simplicidade.


Navega é um exemplo dessa simplicidade complexa, cuidadosamente elaborada. Com uma sensível aliteração em s, voz e melodia se unem para reproduzir o som do mar, produzindo um efeito semelhante àquele causado por uma concha colocada no ouvido. Sim, Navega traz o próprio som do mar e essa não é sua única virtude.


É bastante legítimo reivindicar que Navega atua como uma poderosa máquina do tempo. Em poucos segundos nos transporta para um Brasil melhor, feito de sol, suor, praia e finais de tarde inocentes. Um Brasil sem pandemia, onde ódio e rancor não fazem parte do repertório cotidiano.


João Sobral, que traz sua origem no nome, mas sobretudo na alma, propõe, através de suas criações, sempre carregadas de um lirismo tocante, um retorno a esse país idílico que habita em nossas lembranças remotas e felizes.


Navega, ao remeter a esse país nostálgico, presente no imaginário coletivo não só de brasileiros, mas de como parte do mundo nos vê, ou via, atua como uma provocação em meio ao contexto de Brasil real, duro, sufocado e triste. Sem ser uma obra explicitamente política, é interessante notar como Navega transita em várias esferas. Inocente e nostálgica fórmula voz e violão ou uma poderosa canção que nos faz despertar para o que realmente queremos desse país? O ouvinte escolhe e, melhor, pode até escolher ambos.



“Navega brotou de uma inspiração, eu estava quieto em casa, ouvindo o programa homônimo, da Baba Vacaro, na rádio Eldorado, quando comecei a pensar em viagens, em diferentes paisagens musicais , que é a proposta do programa. E aí a música aconteceu, uma brincadeira com as possibilidades de ir e vir, com a liberdade em sua forma mais ampla”, conta o compositor.


Com um talento nato para trabalhar linguagem e música de forma prolixa, João Sobral, que desde sempre sonhou em ser músico, é conhecido mundo afora por sua capacidade de ressignificar a MPB. Trazendo em sua bagagem pessoal caras referências musicais, entre as quais, especialmente, as de origem nordestina, como ele próprio, o artista trafega com tranquilidade pelos clássicos da música brasileira sem, no entanto, se limitar a eles. Ao passear por outros timbres e sotaques, o artista ultrapassa fronteiras e amplifica, à sua maneira, valores contemporâneos, seu olhar poético sobre o Brasil e o mundo.



Navega estreia hoje, 19 de abril, para deixar na ponta da língua esse som de mar e de saudade, um tributo à nova MPB, mas sobretudo um sopro de vida à música contemporânea brasileira independente, uma resistência artística mais que necessária nesse contexto atual.



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